quarta-feira, 25 de março de 2015

Poesia na Figueira da Foz


Celebrar a Poesia
 
A Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal da Figueira da Foz reune-se habitualmente no último sábado de cada mês, pelas 15 horas, na Sala Figueirense. Os participantes juntam-se para partilhar impressões sobre o  livro escolhido  na sessão anterior. 
Este mês o encontro, que se realizará no próximo sábado, 28,  vai ser dedicado à poesia e aos poetas.
Cada participante deverá selecionar um poema do seu poeta de eleição e partilhá-lo com os outros participantes.
 
Um poema
cresce inseguramente
na confusão da carne.

Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplendida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
rios, a grande paz exterior das coisas,
folhas dormindo o silencio
a hora teatral da posse.

E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
insustentável, único,
invade as casas deitadas nas noites
e as luzes e as trevas em volta da mesa
e a força sustida das cisas
e a redonda e livre harmonia do mundo.
Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério

- E o poema faz-se contra a carne e o tempo.

 
Herberto Helder de Oliveira, que faleceu na segunda-feira, com 85 anos, foi, segundo uma opinião generalizada,  o maior poeta português da segunda metade do século XX.
 
 
 
 
 
 

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